quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quando chegou o momento de conhecerem-na como só Ele sabia, Ela se permitiu sorrir. Ingenuamente, sem saber que a distância entre aqueles corpos era intransponível, o Outro lhe perguntou: "De que sorris?"
Não soube nem lhe pôde explicar, mas quase morreu de saudade, real e pleonasticamente, porque seus sorrisos eram cuidadosamente construídos por eles dois. Ele os entendia bem e ficava feliz em vê-los. Da mesma forma, Ela era feliz em ouvir todos os Seus sons.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não adiantava mais tentar. Seu coração ardia como pés em fim de baile.
Endurecida na esperança de um amor que não lhe era mais oferecido, quis reencontrar, perguntar "Como vai?", ser dele em sua mais sincera e delicada plenitude. Não pôde.

Precisava se apaixonar, nem que fosse por ela mesma.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Obrigada por me escrever. Há tempos não me reservavam tão sinceros sentimentos, mesmo sendo de pesar.
Não. Não se angustie ao ver as minhas lágrimas, porque, também há tempos, não as conheço mais.
O que me apressa é essa virtude a que chamam de paciência, mas que me entrega à solidão.

Peço-lhe que, ao me observar, se meu peito vir chorar, não se culpe. As pernas continuam tortas, mas ainda sabem caminhar.

Beijo no coração.

domingo, 19 de setembro de 2010

Gosto do colorido e dos contornos da vida nova.
Mas, por ora, ficaria satisfeita com uma vida em tons de cinza, naquele famoso preto e branco que daria a ela toda a subjetividade romântica de que tanto preciso.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Na gaveta, um papel mal dobrado, com traços de amassado.
Abriu-o.

"A mim, bastaria que me dissesses ter lembrado de sermos feitos um pro outro. Um chamado em qualquer noite fria, para que eu levasse a ti meu aconchego e para que me fizesses sorrir daquele jeito que não sorri para mais ninguém. A mim, talvez, bastar-me-ias."

Não sabia mais por que o escrevera.
Mal educada, jogou-o pela janela, e para fora de uma vida que um dia também foi sua.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Esta é só mais uma história comum de um par de pernas curtas.
Uma história da qual você já deve ter ouvido falar, mas não faz ideia do tanto que ainda está por trás e que vem à tona de mansinho, querendo derrubar.

As suas pernas curtas

As pernas curtas tinham um caráter doce e um sorriso cativante. Andavam sempre em boas companhias e arranjaram um par de pernas tortas com quem se enroscar. O enlace foi tão certo, que resolveram se casar.

Mas as pernas tortas não sabiam que as pernas curtas estavam fazendo aquilo só porque achavam que as pernas, mesmo tortas, eram legais. As curtas não queriam mais com as tortas se enroscar. Era um esforço para as curtas pensar em dividir o mesmo espaço com pernas agora tão sem graça. Mesmo assim, as pernas tortas eram legais e já haviam caminhado longo percurso ao lado das curtas. E ratificaram se casar.

Mas, pouco depois, o joelho na quina da mesa de centro.

E as pernas tortas aprenderam, com aquela dor aguda, que com pernas curtas não se deve casar. Afinal, é complicado lidar com quem quer dar passo maior que a própria perna, não é mesmo?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sensacional isso que vi no blog de Carol! :)
Superficial & Elementar: Encontre alguém que feche o seu Zíper: "Não é novidade para ninguém o alto índice de mulheres independentes nosso tempo. Elas ganham seu próprio dinheiro,suas carreiras, carros, ca..."

Preciso de um! :~
Já lancei a campanha no GTalk, no MSN e, agora, aqui no Blog.

ahahahaha

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ela acordou temerosa. Queria a liberdade da juventude. Mas, aos 12 anos, não sabia que os 24 chegariam tão logo ela piscasse os olhos.

E a juventude chegou.
Por vezes, quis botões de rewind forward. Se os tivesse, tê-los-ia usado certamente, mas perderia toda surpresa, todo encanto e toda dor do que se configura tão poético e dela.

Hoje, relembrou o que pensara com metade de sua idade e percebeu que tudo e nada mudou: sobreviveu e está viva, vivíssima, para continuar a morrer de novos amores.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sem muita filosofia, gostaria de que as pessoas me definissem razão, dificuldade e coragem.
Isso porque ouvi dizer que, separadamente, nós dois temos razão. E, pior!, que as suas decisões foram difíceis e corajosas.

Ah, meu pai! Assassinaram a lembrança de amor que havia em mim.

sábado, 31 de julho de 2010

Quando comprei minha passagem para Recife, a ideia era ficar o menor tempo possível, apenas o suficiente para rever família e amigos. Como falei, estar de volta a casa era, no mínimo, confuso, porque o todo tão novo daqui de Belo Horizonte não me permite pensar muito no que vinha tentando deixar pra trás. Mas aí eu vi que Recife ainda tem muuuita coisa nova para mim. Muita mesmo! E acho uma pena ter voltado tão logo a BH, porque queria ter aproveitado mais e melhor as pessoas.

E talvez seja cedo para dizer, mas acho que este blog segue, mas feliz e definitivamente sem o motivo que o criou.
Sarei.
 

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