Vi a verdade passar por nós como um vento que levanta a cortina — rápido, mas suficiente para mostrar o que estava escondido. Ainda assim, não puxei o tecido de volta. Fiquei quieta, não por dúvida, mas por cansaço de disputar com silêncios já tão decididos.
Há coisas que a gente reconhece sem precisar tocar: a ausência de uma palavra, o desvio do olhar, o modo como certas promessas murcham antes mesmo de nascerem.
E há também as pequenas permanências que nunca, nunca se vão, como esses objetos que ficam nos cantos da casa guardando pedaços do caminho que você não quis declarar.
Abro uma porta e lá está, discreta e intacta, a lembrança etiquetada de um trajeto que nunca foi nosso, me dizendo, sem voz, aquilo que você escolheu não me dizer.
Você me ofereceu caminhos com a mesma leveza com que os recolheu, como se eu tivesse sido a desistência que nunca fui. E eu deixei. Deixei, porque percebi que insistir seria somente me ferir contra uma porta já bem trancada por dentro.
O que me dói, porém, sequer é o que não aconteceu, ou que você escolheu guardar, sabe? É esse gesto pequeno de me caber numa versão mais fácil, em que a falta vira minha e o silêncio te absolve. Isso é o que me dói.
Eu sei o que sei, e esse saber me impõe pouquíssimas opções. Para não te magoar, assumo meu erro comigo mesma: aceito carregar uma verdade sem ter onde pousá-la, para que você possa viver no conforto do que não tem coragem de dizer.
O erro é, sempre foi e sempre será meu.
Perdi.

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