sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Saudade pequena é mosquito leve.
Ronda as janelas do peito,
mastiga lembranças em pele fina,
cheira o vento à procura do teu rastro.

Cinco dias sabem ser muito tempo,
porque não cessam as vontades:
de rir de nada junto,
de dividir o sossego,
de deixar o tempo caminhar frouxo,
de ouvir teu assovio quando bato à porta do ninho,
de reaprender, a cada dia, o encaixe do abraço,
de acender meu parco silêncio
em meu abundante descompasso,
de ser furacão só para te encantar,
de pertencer, inteira, ao agora.

Passa, tempo.
Deixa logo que a saudade se deite
no jardim daquele peito que, 
em pleno outono, voltou a florir.

Deixa que o abraço comece antes de esse corpo chegar.
Que me toque como só o vento entende.
Que não seja mais ela, a saudade, essa pele no espaço entre a gente.

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